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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Azenhas do Zêzere (parte 2)

Azenha de Pelores


O local era composto pela azenha, o açude e a casa da moleira.
O açude que servia para desviar água para a azenha, fazendo a roda girar, já não existe. Era feito em madeira (estacas e tábuas). Vários anos depois da azenha não funcionar, pescadores destruíram-no com a intenção que o peixe subisse rio a cima, tornando o rio navegável desde a barragem de Castelo de Bode até à foz do Zêzere (Constância).

A casa da moleira está em ruínas devido à queda de árvores sobre a casa. As paredes que estão erguidas junto a azenha fazem parte dela. Aqui era onde se guardava a farinha e os cereais que as pessoas traziam.

A azenha ainda permanece minimamente intacta. Devido às cheias, que modificam o rio, a azenha não tem qualquer água junto dela. No exterior ainda se encontra a roda de ferro e o que sobra de uma das mós (entre a azenha e a casa da moleira). 
Não há data certa de quando a azenha deixou de funcionar mas já em 1975 já a mesma estava abandonada. Havia quem fosse para aquelas margens pastar o gado e se abrigasse na azenha.


A Roda 
O que sobra da mó



Histórias das gentes daquele tempo

“Durante a grande guerra (2ª Guerra Mundial), numa altura de fome, os nossos pais mandavam-nos a nós à azenha. Éramos cachopos e lá íamos, com as sacas de trigo ou milho, caminho fora até a azenha, para que fizessem a farinha.
Como não havia dinheiro e a miséria era muita, os moleiros só nos entregavam a farinha se fossemos apanhar lenha. 
Apanhávamos a lenha da margem de cá e da margem de lá. Para ir ao outro lado buscar a lenha à outra margem fazíamos um cordão humano sobre o açude. Dávamos as mãos uns aos outros e assim é que juntávamos lenha para trocar pela farinha. 
Um dia, a tia Amélia escorregou do açude e foi arrastada pela corrente. Nós aflitos a vermos que ela ia rio abaixo não a conseguíamos tirar de lá. Lá foram os moleiros tira-la do rio senão tinha morrido lá.”

(contado pela senhora minha avó, Maria Alice)



Esta pode ser visitada ao percorrer o Trilho no Rasto dos Templários. O CCDL (Centro Cultural e Desportivo Limeirense) com o apoio da junta de freguesia da Praia do Ribatejo promoveram à limpeza do trilho em Junho de 2016. A azenha, apesar do abandono, tem sido preservada e limpa por dois ou três pessoas do Cafuz por iniciativa própria, por gosto da natureza e do reviver outros tempos longínquos. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Azenhas do Zêzere (parte 1)

Azenha ou moinho de água, é um engenho que aproveita a força motriz da movimentação da água, de rios ou ribeiros, para a moagem de cereais.

Os moinhos de água podem ser classificados pelo tipo de roda utilizada: 
- roda vertical - denominada por azenha - a roda é movida pela corrente de água; o movimento é transmitido à mó por uma roda dentada e um carreto;
- roda horizontal - denominada por rodízio - o movimento da roda é directamente transmitido à mó.

- Como funciona o engenho?

A água é conduzida para os moinhos através de açudes ou levadas. Ao ser "projetada" para as pás da roda fazem com que esta gire. Esse movimento de rotação é transmitido através de um veio à mó andadeira. A mó andadeira ao girar sobre a mó fixa irá moer os cereais que lhe forem introduzidos pelo orifício central. O veio, no caso do rodízio, liga diretamente a roda à mó. Nas azenhas, o movimento é transmitido por dois veios, uma roda dentada e um carreto.
Rodízio vs Azenha


Azenhas Existentes

Entre a barragem de Castelo de Bode e a foz do Zêzere existem 4 azenhas no rio Zêzere, todas elas com uma grande história (havendo quem diga que pertencessem aos templários ou até mesmo aos mouros, mas não temos quaisquer provas que possam confirmar ou desmessa afirmação).

Após investigação chegamos aos seguintes nomes e localizações:
Azenha dos Frades – na margem esquerda do Zêzere, junto à foz do Ribeiro do Vale da Azenha, a jusante de Castelo de Bode e a montante da foz do Nabão
Azenha de Pelores – na margem direita do Zêzere, a jusante tanto da foz do Nabão
Azenha da Boca do Ribeiro ou dos Matos – situa-se na margem direita do rio Zêzere, em frente à foz do Ribeirão
Azenha dos Cabrizes – situa-se no leito do rio Zêzere, próximo da margem esquerda, cerca de 300 metros a jusante da foz do Ribeirão

Localização das azenhas no Zêzere entre o Castelo de Bode e a foz do Zêzere

As azenhas da margem direita do rio, Azenha de Pelores (Cafuz) e a Azenha da Boca do Ribeiro (Matos) são localmente conhecidas pelas Azenhas dos Morgados, pois os moleiros e donos desses moinhos eram da família dos Morgados.
Estas produziam farinha para as aldeias de Matos, Cafuz, Limeiras, Perdigueira, Madeiras, entre outras.


Azenha de Pelores


Azenha da Boca do Ribeiro

Azenha de Cabrizes










































Nota: Infelizmente não temos foto da Azenha dos Frades

(Em breve desenvolveremos um pouco mais este tema)



quinta-feira, 16 de março de 2017

No Rasto dos Templários

        O trilho "No Rasto dos Templários" é o primeiro a ser apresentado por nós. 
Este trilho era uma das rotas que os cavaleiros templários utilizavam para ligar o Castelo de Almourol ao Castelo de Tomar, passando pelo Castelo do Ozezar (actual cemitério da Praia do Ribatejo). 

        Devido à importância desta rota na nossa região na época Templária, são inúmeros os vestígios e infraestruturas que hoje podemos apreciar e visitar ao percorrer este trilho. Desde azenhas (moinho de água), estradas empedradas, partes de açudes e vestígios de um estaleiro naval - onde foram construídas as galeotas utilizadas para chegar a Ceuta.


Azenha dos Morgado ou Azenha de Pelores

        Muitas dessas construções perderam-se com o tempo ou acabaram modificadas para usos da população dos tempos recentes, como os patamares do estaleiro naval foram aproveitados para nateiros (lugares de cultivo junto ao rio), as azenhas e açudes acabaram por degradar-se com as cheias de invernos rigorosos, caminhos empedrados destruídos para abertura de estradas, entre outros casos. 
Vestígios de um açude de grandes dimensões


Características do percurso 

        O percurso não é só espectacular pela sua história associada mas também pela beleza natural. 
Foz do rio Nabão


Com início no Cafuz e fim nas Madeiras, todo ele é feito na margem direita do rio Zêzere, onde a acção do homem actualmente é praticamente nula. Tornando assim o percurso natural e algo selvagem. A beleza do rio Zêzere em conjunto com as suas margens ficam na memória de quem percorre este trilho.
A amendoeira em flor


Actualmente é possível fazer-se Foz do Nabão (Cafuz) > Centro Náutico de Constância [+- 11km | dificuldade elevada]. 

Podendo encurtar-se os percursos com saídas no:

- Vale de Martinchel (Cafuz) [percurso circular | +- 5 km | dificuldade média] > Mapa trilho https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=16407203
- Matos [percurso linear | +- 5 km | dificuldade média]
- Caneiro de Baixo (Limeiras) [percurso linear | +- 9 km | dificuldade elevada] > Mapa trilho https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=15910521


Panorâmica da escarpa dos Matos

Mérito a quem procedeu à abertura do trilho:


Trilho Cafuz - Matos: aberto pelo CCDL e JF Praia do Ribatejo
Trilho Matos - Madeiras: aberto pelo CLAC