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sábado, 25 de novembro de 2017

Conheira - Exploração Mineira Romana

Conheira do Cafuz


Conheiras são amontoados de seixos rolados, parte resultante de uma mina de exploração de ouro a céu aberto. Exploração essa, que ao contrário das minas mais comuns, não necessitam de ser feita por grandes túneis e galerias subterrâneas.

Ruina Montium, ou em português “Colapso das Montanhas”, é o nome dado a este método de extracção de minério utilizado pelos romanos. Era utilizado quando a zona a explorar era demasiado grossa, como uma encosta ou um monte, recorrendo a barragens e a sistemas de drenagem.

 

Como funciona este método?

- Primeiro, na zona a explorar eram abertos túneis e galerias, apenas com entradas nos pontos altos. Ao mesmo tempo era construído um sistema de drenagem de água, recorrendo a canais e a reservatórios.
 

- Depois dos túneis estarem abertos e concluído o sistema de drenagem, procede-se à inundação dos túneis. Esta inundação dos túneis acaba por provocar o colapso total da zona escavada.

 
- Após o desmoronamento da zona a explorar, a água que serviu para colapsar o monte é canalizada por calhas de madeira. Nessas calhas ficam depositadas partículas de ouro devido à gravidade.


- Por último, de maneira a evitar um entupimento dos canais, as pedras estéreis maiores, eram retiradas à mão e empilhadas ao lado dos canais em montes. Em algumas explorações a quantidade de material estéril retirado foi tanto que encheu vales e levou ao aparecimento de lagos. Este empilhamento de pedras estéreis, seixos rolados, resultam nas conheiras.



O seguinte vídeo exemplifica todo o processo:
 
 

Las Medulas (Espanha) são as maiores minas de ouro do Império Romano, na qual foi aplicada a técnica de ruina montium.
Em Portugal existem grandes conheiras em Vila de Rei e estudos recentes apontam que a maior área mineira de outro do Portugal romana encontra-se ao longo do rio Alva (concelho de Arganil)

 
No Cafuz, camuflada pelos eucaliptais em seu redor, existe também uma pequena conheira.
Da população local já são poucos os que sabem onde se localiza e menos ainda têm a noção do que se trata na realidade em termos históricos. Alguns sabem que está associado ao ouro mas desconhecem como era executado todo o processo. Todo isto leva a que cada vez mais seja considerado apenas um amontoado de calhaus e consequentemente à desvalorização do património histórico.



 

Trabalho de Investigação

A alguns anos, jovens Limeirenses encontraram objectos datados antes da época romana, como um rapador e um silex. Sendo objectos de fácil movimentação não existem certezas de como foram ali parar. Supõem-se que os romanos terão colocado a trabalhar na exploração povos lusitanos locais e que estes utensílios pertencessem a eles, pois ainda eram muito rudimentares.

 
 

Localização

A conheira localiza-se no Vale da Amoreira, coordenadas GPS N 39° 30.816 W 008° 20.637, sendo o caminho até lá de terra batida. Podem aproveitar para lá ir dar um passeio e apreciar a excelente vista sobre o rio Zêzere.
 

domingo, 29 de outubro de 2017

Um hobbie chamado Geocaching

Geocaching

Geocaching é um passatempo realizado ao ar livre, conhecido como o “caça ao tesouro” no mundo real através de coordenadas GPS. Seguindo o GPS, os praticantes (chamados geocachers) vão até ao local indicado com o intuito de encontrar uma pequena caixa (geocache ou cache). Este é um hobbie gratuito onde basta ter internet e um GPS ou telemóvel com GPS.


 


As caches são colocadas pelos geocachers, por norma, em locais de interesse, seja ele histórico, cultural ou paisagístico. Por exemplo um castelo, um local onde se realiza uma festividade, uma paisagem digna de se apreciar e fotografar, qualquer coisa que um geocacher considere digno de visitar. As caches podem ter diferentes formas e tamanhos. Estas podem ser uma caixa de rolo fotográfico, um típico tupperware, ou algo mais elaborado (como um tronco oco, uma peça de fruta artificial) ou qualquer outra coisa que se enquadre no esconderijo.

geocaching foi e é para mim visto como um mecanismo de turismo. Muitas vezes pensamos que conhecemos uma aldeia ou cidade mas acabamos sempre por descobrir um recanto a que não fomos e que por vezes é o mais belo dos arredores. 


Mais uma vez, com o intuito de dar a conhecer alguns lugares da nossa aldeia, utilizei o geocaching para georeferenciar locais, a meu ver, de interesse e onde muitos dos habitantes locais nunca foram ou desconhecem algum facto relacionado com o lugar, por exemplo as tapadas, a conheira (ainda não abordada no nosso blog), e o trilho "No Rasto dos Templários". Sendo que já existem caches da autoria de vários amigos no nosso território como é o caso do trilho d' "Água Férrea".


Algumas das caixinhas escondidas na nossa aldeia:










Apesar de ainda os resultados estarem aquém das ambiciosas expectativas, quase todos os meses tem havido quem se aventure à procura de mais um "tupperware" nas nossas aldeias. E em maio deste ano organizamos uma caminhada com geocachers de diversos pontos do país para percorrer estes bonitos locais.

Fotos da geocaminhada:



Foto de Rui Marques.


Nota: Sempre que vir algo idêntico ao descrito não estrague nem a retire, tente falar com o quem lá a colocou, todas as caches são colocadas com as melhores intenções e algumas dão muito trabalho e despesa para serem construídas.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Test Drive Kayak - Descida do Zêzere

Pela Água do Zêzere Abaixo

Com o Verão já acabado e com um Outono já em andamento, decidi fazer o test drive ao kayak, uma recente aquisição para explorar outras aventuras, e como por diversos motivos as únicas voltas que fiz foi só junto à foz do Zêzere.
O Zêzere sempre foi, é e será o "menino dos meus olhos" - talvez por ter paisagens fascinantes, talvez por ser um dos mais limpos ou talvez por tê-lo a meus pés e vê-lo todos os dias sem precisar de sair de casa – tinha de ser o escolhido para a primeira experiência a solo de pagaia nas mãos.
Fazer a descida de canoagem desde a Foz do Nabão até à Foz do Zêzere é algo fenomenal e recomendável a todos. São cerca de 8km que demoram umas 3 horas, onde a natureza alia-se ao divertimento.
As águas límpidas e cristalinas surpreendem-nos com alguns rápidos e com a passagem de várias espécies de peixes ao nosso lado. A paisagem verde dos vales onde remamos vai nos contemplando com a presença de várias espécies de aves, como águias, garças, patos, corvos, entre muitos outros.



A manhã solarenga e fresca proporcionaram um excelente início para esta estreia a solo (nada comparado com os 35ºC às 10h da manhã como na última vez). Com o caudal baixo e corrente fraca a previsão era de uma descida tranquila. Go Pro instalada, saco de reforço alimentar preso, colete apertado, rádio com fones funcional (nada melhor para fazer companhia) e aqui vou eu.

Primeiro obstáculo: uma passagem estreita com bastantes plantas aquáticas. Uma consequência da seca que estamos a atravessar e de não ter havido cheias as plantas aquáticas estão presentes em vários troços do rio. Estas dão servem para peixes se abrigarem do sol e também dão umas fotos bonitas. Passado o estreito “canal” que mais nos faz lembrar um ribeiro que um rio, lá segue a viagem. 



Segundo obstáculo: Mais uma passagem estreita com salgueiros. Tudo tinha para ser algo fácil de se contornar, mas uma remada mal dada e acabei por virar o veículo… Tal era o baixo caudal que havia mais probabilidade de fazer um traumatismo craniano do que me afogar.

A viagem correu de forma tranquila até aos Matos, passando pela foz do Ribeiro da Mata – agora seco -, por nateiros, escarpas, fundões e tantas outras coisas… A fazer-me companhia uma garça que teimou em dificultar a vida para a fotografar (como é belo puder estar-se em plena harmonia com a natureza). Depois de passar a foz do Ribeirão nada melhor que uma paragem no areal dos Matos e aproveitar para comer alguma coisa e uma ida à azenha dos Matos pelo trilho “No Rasto dos Templários” para ver como está.




De volta ao kayak lá segui viagem. O caudal mantinha-se baixo e a corrente fraca, sinal que a barragem de Castelo de Bode não estava a turbinar a água. Esta segunda parte mostrou-se mais difícil pelo facto do nível de água estar tão baixo, resultado: curtas caminhadas com os pés de molho a puxar o kayak. Mais umas passagens por estreitos canais que proporcionam sempre uma adrenalina miudinha para não acabar estatelado num salgueiro nem encalhado no areal.

Pelo caminho mais um casal de garças a fazer companhia, sempre assustadas com a minha aproximação. Mais a baixo momento de paragem para fotografar o (agora já conhecido) “São Cristóvão”, um barco de chapa soterrado apenas com a proa à vista. Um pouco mais à frente momento de fotografar a “Bipolar” – arte urbana da autoria de VIOLANT X SKRAN.



Momento de chegada à ponte da A23. Depois de mais uns metros com os pés de molho a puxar o kayak, lá cheguei à parte mais “radical” esta segunda parte da viagem. Os enormes pedregulhos existentes debaixo da ponte e o baixo caudal aumentam a perigosidade da passagem, virar o kayak neste troço deve significar arranhões e uma cabeça partida. Com calma lá fui contornando uns e roçando noutros, com a adrenalina a aumentar conforme a probabilidade de tudo aqui correr mal. Depois desta passagem uma chegada tranquila até Constância.
 


Resultado: 3h de puro divertimento no meio da natureza, cansaço, meia dúzia de fotos e mais uma história para contar…

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Azenhas do Zêzere (parte 2)

Azenha de Pelores


O local era composto pela azenha, o açude e a casa da moleira.
O açude que servia para desviar água para a azenha, fazendo a roda girar, já não existe. Era feito em madeira (estacas e tábuas). Vários anos depois da azenha não funcionar, pescadores destruíram-no com a intenção que o peixe subisse rio a cima, tornando o rio navegável desde a barragem de Castelo de Bode até à foz do Zêzere (Constância).

A casa da moleira está em ruínas devido à queda de árvores sobre a casa. As paredes que estão erguidas junto a azenha fazem parte dela. Aqui era onde se guardava a farinha e os cereais que as pessoas traziam.

A azenha ainda permanece minimamente intacta. Devido às cheias, que modificam o rio, a azenha não tem qualquer água junto dela. No exterior ainda se encontra a roda de ferro e o que sobra de uma das mós (entre a azenha e a casa da moleira). 
Não há data certa de quando a azenha deixou de funcionar mas já em 1975 já a mesma estava abandonada. Havia quem fosse para aquelas margens pastar o gado e se abrigasse na azenha.


A Roda 
O que sobra da mó



Histórias das gentes daquele tempo

“Durante a grande guerra (2ª Guerra Mundial), numa altura de fome, os nossos pais mandavam-nos a nós à azenha. Éramos cachopos e lá íamos, com as sacas de trigo ou milho, caminho fora até a azenha, para que fizessem a farinha.
Como não havia dinheiro e a miséria era muita, os moleiros só nos entregavam a farinha se fossemos apanhar lenha. 
Apanhávamos a lenha da margem de cá e da margem de lá. Para ir ao outro lado buscar a lenha à outra margem fazíamos um cordão humano sobre o açude. Dávamos as mãos uns aos outros e assim é que juntávamos lenha para trocar pela farinha. 
Um dia, a tia Amélia escorregou do açude e foi arrastada pela corrente. Nós aflitos a vermos que ela ia rio abaixo não a conseguíamos tirar de lá. Lá foram os moleiros tira-la do rio senão tinha morrido lá.”

(contado pela senhora minha avó, Maria Alice)



Esta pode ser visitada ao percorrer o Trilho no Rasto dos TempláriosO CCDL (Centro Cultural e Desportivo Limeirense) com o apoio da junta de freguesia da Praia do Ribatejo promoveram à limpeza do trilho em Junho de 2016. A azenha, apesar do abandono, tem sido preservada e limpa por dois ou três pessoas do Cafuz por iniciativa própria, por gosto da natureza e do reviver outros tempos longínquos. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Azenhas do Zêzere (parte 1)

Azenha ou moinho de água, é um engenho que aproveita a força motriz da movimentação da água, de rios ou ribeiros, para a moagem de cereais.

Os moinhos de água podem ser classificados pelo tipo de roda utilizada: 
- roda vertical - denominada por azenha - a roda é movida pela corrente de água; o movimento é transmitido à mó por uma roda dentada e um carreto;
- roda horizontal - denominada por rodízio - o movimento da roda é directamente transmitido à mó.

- Como funciona o engenho?

A água é conduzida para os moinhos através de açudes ou levadas. Ao ser "projetada" para as pás da roda fazem com que esta gire. Esse movimento de rotação é transmitido através de um veio à mó andadeira. A mó andadeira ao girar sobre a mó fixa irá moer os cereais que lhe forem introduzidos pelo orifício central. O veio, no caso do rodízio, liga diretamente a roda à mó. Nas azenhas, o movimento é transmitido por dois veios, uma roda dentada e um carreto.
Rodízio vs Azenha


Azenhas Existentes

Entre a barragem de Castelo de Bode e a foz do Zêzere existem 4 azenhas no rio Zêzere, todas elas com uma grande história (havendo quem diga que pertencessem aos templários ou até mesmo aos mouros, mas não temos quaisquer provas que possam confirmar ou desmessa afirmação).

Após investigação chegamos aos seguintes nomes e localizações:
Azenha dos Frades – na margem esquerda do Zêzere, junto à foz do Ribeiro do Vale da Azenha, a jusante de Castelo de Bode e a montante da foz do Nabão
Azenha de Pelores – na margem direita do Zêzere, a jusante tanto da foz do Nabão
Azenha da Boca do Ribeiro ou dos Matos – situa-se na margem direita do rio Zêzere, em frente à foz do Ribeirão
Azenha dos Cabrizes – situa-se no leito do rio Zêzere, próximo da margem esquerda, cerca de 300 metros a jusante da foz do Ribeirão

Localização das azenhas no Zêzere entre o Castelo de Bode e a foz do Zêzere

As azenhas da margem direita do rio, Azenha de Pelores (Cafuz) e a Azenha da Boca do Ribeiro (Matos) são localmente conhecidas pelas Azenhas dos Morgados, pois os moleiros e donos desses moinhos eram da família dos Morgados.
Estas produziam farinha para as aldeias de Matos, Cafuz, Limeiras, Perdigueira, Madeiras, entre outras.


Azenha de Pelores


Azenha da Boca do Ribeiro

Azenha de Cabrizes










































Nota: Infelizmente não temos foto da Azenha dos Frades

(Em breve desenvolveremos um pouco mais este tema)



quinta-feira, 16 de março de 2017

No Rasto dos Templários

        O trilho "No Rasto dos Templários" é o primeiro a ser apresentado por nós. 
Este trilho era uma das rotas que os cavaleiros templários utilizavam para ligar o Castelo de Almourol ao Castelo de Tomar, passando pelo Castelo do Ozezar (actual cemitério da Praia do Ribatejo). 

        Devido à importância desta rota na nossa região na época Templária, são inúmeros os vestígios e infraestruturas que hoje podemos apreciar e visitar ao percorrer este trilho. Desde azenhas (moinho de água), estradas empedradas, partes de açudes e vestígios de um estaleiro naval - onde foram construídas as galeotas utilizadas para chegar a Ceuta.


Azenha dos Morgado ou Azenha de Pelores

        Muitas dessas construções perderam-se com o tempo ou acabaram modificadas para usos da população dos tempos recentes, como os patamares do estaleiro naval foram aproveitados para nateiros (lugares de cultivo junto ao rio), as azenhas e açudes acabaram por degradar-se com as cheias de invernos rigorosos, caminhos empedrados destruídos para abertura de estradas, entre outros casos. 
Vestígios de um açude de grandes dimensões


Características do percurso 

        O percurso não é só espectacular pela sua história associada mas também pela beleza natural. 
Foz do rio Nabão


Com início no Cafuz e fim nas Madeiras, todo ele é feito na margem direita do rio Zêzere, onde a acção do homem actualmente é praticamente nula. Tornando assim o percurso natural e algo selvagem. A beleza do rio Zêzere em conjunto com as suas margens ficam na memória de quem percorre este trilho.
A amendoeira em flor


Actualmente é possível fazer-se Foz do Nabão (Cafuz) > Centro Náutico de Constância [+- 11km | dificuldade elevada]. 

Podendo encurtar-se os percursos com saídas no:

- Vale de Martinchel (Cafuz) [percurso circular | +- 5 km | dificuldade média] > Mapa trilho https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=16407203
- Matos [percurso linear | +- 5 km | dificuldade média]
- Caneiro de Baixo (Limeiras) [percurso linear | +- 9 km | dificuldade elevada] > Mapa trilho https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=15910521


Panorâmica da escarpa dos Matos

Mérito a quem procedeu à abertura do trilho:


Trilho Cafuz - Matos: aberto pelo CCDL e JF Praia do Ribatejo
Trilho Matos - Madeiras: aberto pelo CLAC