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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Test Drive Kayak - Descida do Zêzere

Pela Água do Zêzere Abaixo

Com o Verão já acabado e com um Outono já em andamento, decidi fazer o test drive ao kayak, uma recente aquisição para explorar outras aventuras, e como por diversos motivos as únicas voltas que fiz foi só junto à foz do Zêzere.
O Zêzere sempre foi, é e será o "menino dos meus olhos" - talvez por ter paisagens fascinantes, talvez por ser um dos mais limpos ou talvez por tê-lo a meus pés e vê-lo todos os dias sem precisar de sair de casa – tinha de ser o escolhido para a primeira experiência a solo de pagaia nas mãos.
Fazer a descida de canoagem desde a Foz do Nabão até à Foz do Zêzere é algo fenomenal e recomendável a todos. São cerca de 8km que demoram umas 3 horas, onde a natureza alia-se ao divertimento.
As águas límpidas e cristalinas surpreendem-nos com alguns rápidos e com a passagem de várias espécies de peixes ao nosso lado. A paisagem verde dos vales onde remamos vai nos contemplando com a presença de várias espécies de aves, como águias, garças, patos, corvos, entre muitos outros.



A manhã solarenga e fresca proporcionaram um excelente início para esta estreia a solo (nada comparado com os 35ºC às 10h da manhã como na última vez). Com o caudal baixo e corrente fraca a previsão era de uma descida tranquila. Go Pro instalada, saco de reforço alimentar preso, colete apertado, rádio com fones funcional (nada melhor para fazer companhia) e aqui vou eu.

Primeiro obstáculo: uma passagem estreita com bastantes plantas aquáticas. Uma consequência da seca que estamos a atravessar e de não ter havido cheias as plantas aquáticas estão presentes em vários troços do rio. Estas dão servem para peixes se abrigarem do sol e também dão umas fotos bonitas. Passado o estreito “canal” que mais nos faz lembrar um ribeiro que um rio, lá segue a viagem. 



Segundo obstáculo: Mais uma passagem estreita com salgueiros. Tudo tinha para ser algo fácil de se contornar, mas uma remada mal dada e acabei por virar o veículo… Tal era o baixo caudal que havia mais probabilidade de fazer um traumatismo craniano do que me afogar.

A viagem correu de forma tranquila até aos Matos, passando pela foz do Ribeiro da Mata – agora seco -, por nateiros, escarpas, fundões e tantas outras coisas… A fazer-me companhia uma garça que teimou em dificultar a vida para a fotografar (como é belo puder estar-se em plena harmonia com a natureza). Depois de passar a foz do Ribeirão nada melhor que uma paragem no areal dos Matos e aproveitar para comer alguma coisa e uma ida à azenha dos Matos pelo trilho “No Rasto dos Templários” para ver como está.




De volta ao kayak lá segui viagem. O caudal mantinha-se baixo e a corrente fraca, sinal que a barragem de Castelo de Bode não estava a turbinar a água. Esta segunda parte mostrou-se mais difícil pelo facto do nível de água estar tão baixo, resultado: curtas caminhadas com os pés de molho a puxar o kayak. Mais umas passagens por estreitos canais que proporcionam sempre uma adrenalina miudinha para não acabar estatelado num salgueiro nem encalhado no areal.

Pelo caminho mais um casal de garças a fazer companhia, sempre assustadas com a minha aproximação. Mais a baixo momento de paragem para fotografar o (agora já conhecido) “São Cristóvão”, um barco de chapa soterrado apenas com a proa à vista. Um pouco mais à frente momento de fotografar a “Bipolar” – arte urbana da autoria de VIOLANT X SKRAN.



Momento de chegada à ponte da A23. Depois de mais uns metros com os pés de molho a puxar o kayak, lá cheguei à parte mais “radical” esta segunda parte da viagem. Os enormes pedregulhos existentes debaixo da ponte e o baixo caudal aumentam a perigosidade da passagem, virar o kayak neste troço deve significar arranhões e uma cabeça partida. Com calma lá fui contornando uns e roçando noutros, com a adrenalina a aumentar conforme a probabilidade de tudo aqui correr mal. Depois desta passagem uma chegada tranquila até Constância.
 


Resultado: 3h de puro divertimento no meio da natureza, cansaço, meia dúzia de fotos e mais uma história para contar…

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Buraca dos Mouros

MOUROS e MOURAS

As lendas de Mouros e Mouras são histórias existentes em praticamente todo o país. Pensa-se que a ideia original dessas personagens remonte a tempos pré-históricos, sem que tenham a mesma denominação. A presença árabe no nosso país acabou por influenciar a denominação de mouros e mouras a essas mesmas personagens.

A moura


A Buraca dos Mouros

A Buraca dos Mouros localiza-se nos Matos (freguesia de Praia do Ribatejo), junto à margem direita do rio Zêzere.
Um levantamento arqueológico levado a cabo em 1991, por alunos da escola de V.N. da Barquinha contém o relato de uma moradora dos Matos à época, Srª Maria Fernanda – “informou-nos sobre um buraco existente a meia encosta, onde diziam que habitar Mouros e que tinha salas onde existiam pequenos potes.”
Devido à elevada densidade de vegetação na época não foi possível encontrar o tal buraco, deixando apenas informação de um possível local da Buraca dos Mouros.
Em nota, é apontada a probabilidade do buraco ser uma mina ou uma espécie de exploração mineira a céu aberto (ambas abundantes na região).

Anos mais tarde jovens limeirenses voltaram a “investigar” esta lenda e ir embosca da buraca mas nada encontraram.

Esta localização distancia-se cerca de 150mts da indicada em carta militar, à escala de 1/25000, apontada durante o levantamento de 1991.

Última localização conhecida

A localização indicada a esses jovens (acima indicada), é um local que diferencia-se da zona envolvente devido a ser uma encosta rochosa, em jeito de escarpa, tendo uma densidade de arbustos e matos menor que a envolvente. 

Escarpa vista do trilho

Não tendo ainda encontrado a Buraca da Moura encontramos uma maravilhosa paisagem do topo do rochedo.
Chegar ao topo da escarpa é algo difícil, devido às condições do terreno (vegetação, pedras soltas, inclinação). Para quem o quiser fazer, existe uma espécie de "carreiro" que permite fazer a sua subida sem necessidade de material de escalagem. E lá do topo, a vista sobre o Zêzere é digna de ser apelidada de "Miradouro Natural".


Um belo Miradouro Natural

quinta-feira, 16 de março de 2017

No Rasto dos Templários

        O trilho "No Rasto dos Templários" é o primeiro a ser apresentado por nós. 
Este trilho era uma das rotas que os cavaleiros templários utilizavam para ligar o Castelo de Almourol ao Castelo de Tomar, passando pelo Castelo do Ozezar (actual cemitério da Praia do Ribatejo). 

        Devido à importância desta rota na nossa região na época Templária, são inúmeros os vestígios e infraestruturas que hoje podemos apreciar e visitar ao percorrer este trilho. Desde azenhas (moinho de água), estradas empedradas, partes de açudes e vestígios de um estaleiro naval - onde foram construídas as galeotas utilizadas para chegar a Ceuta.


Azenha dos Morgado ou Azenha de Pelores

        Muitas dessas construções perderam-se com o tempo ou acabaram modificadas para usos da população dos tempos recentes, como os patamares do estaleiro naval foram aproveitados para nateiros (lugares de cultivo junto ao rio), as azenhas e açudes acabaram por degradar-se com as cheias de invernos rigorosos, caminhos empedrados destruídos para abertura de estradas, entre outros casos. 
Vestígios de um açude de grandes dimensões


Características do percurso 

        O percurso não é só espectacular pela sua história associada mas também pela beleza natural. 
Foz do rio Nabão


Com início no Cafuz e fim nas Madeiras, todo ele é feito na margem direita do rio Zêzere, onde a acção do homem actualmente é praticamente nula. Tornando assim o percurso natural e algo selvagem. A beleza do rio Zêzere em conjunto com as suas margens ficam na memória de quem percorre este trilho.
A amendoeira em flor


Actualmente é possível fazer-se Foz do Nabão (Cafuz) > Centro Náutico de Constância [+- 11km | dificuldade elevada]. 

Podendo encurtar-se os percursos com saídas no:

- Vale de Martinchel (Cafuz) [percurso circular | +- 5 km | dificuldade média] > Mapa trilho https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=16407203
- Matos [percurso linear | +- 5 km | dificuldade média]
- Caneiro de Baixo (Limeiras) [percurso linear | +- 9 km | dificuldade elevada] > Mapa trilho https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=15910521


Panorâmica da escarpa dos Matos

Mérito a quem procedeu à abertura do trilho:


Trilho Cafuz - Matos: aberto pelo CCDL e JF Praia do Ribatejo
Trilho Matos - Madeiras: aberto pelo CLAC